Mostrando postagens com marcador lente intra ocular. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lente intra ocular. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Quando Menos é Mais

A cirurgia de catarata sofreu diversas mudanças nos últimos anos. Após a facoemulsificação ter se tornado o padrão ouro para a remoção do cristalino opacificado, muitas técnicas, equipamentos e produtos foram desenvolvidos ou aperfeiçoados para proporcionar uma visão cada vez melhor.

Entende-se como facoemulsificação a técnica onde se utiliza um aparelho especialmente desenvolvido para a cirurgia de catarata que possui uma caneta, conhecida tecnicamente como probe. A ponta desta caneta é introduzida no olho, levando o ultrassom de alta freqüência produzido pelo aparelho para próximo do cristalino. As ondas de choque do ultrassom emulsificam, ou seja, dissolvem o cristalino opacificado dentro do olho, e no seu lugar é implantado uma lente que devolverá a visão ao paciente.

A facoemulsificação foi desenvolvida há mais de 40 anos, mas inicialmente o resultado pós operatório era inferior ao obtido com a cirurgia tradicional, a facectomia extracapsular, onde o cristalino é retirado inteiro através de uma incisão de 5 a 8 mm. Esta técnica é ainda utilizada em cataratas muito maduras, quando o uso do ultrassom pode causar seqüelas. As principais desvantagens desta técnica é a recuperação mais lenta do paciente, os cuidados no pós operatório e a alta incidência de astigmatismo em virtude da sutura da incisão.

A facoemulsificação permite a retirada do cristalino através de uma incisão em torno de 3 mm, o que significa um trauma menor ao olho, uma recuperação mais rápida do paciente e uma visão melhor. Uma das principais vantagens desta técnica é que esta incisão não necessita de sutura, o que reduziu o aparecimento de astigmatismo nos olhos operados.

A técnica foi evoluindo e nos últimos anos a incisão para a emulsificação do cristalino foi reduzido para valores abaixo de 1mm, o que necessita de técnica e materiais especiais para a sua realização. No último mês o autor viajou até a Índia a convite do Dr. Amar Agarwal para conhecer a técnica que desenvolveu para a remoção do cristalino através de uma incisão de 0,7 mm, a mesma espessura de uma lapiseira, conhecida como MicroPhakonit. Além da incisão menor para a retirada do cristalino, outro diferencial é a recuperação mais rápida da visão, onde não é raro o paciente apresentar uma visão de 100% algumas horas após a cirurgia.

Algumas das vantagens e desvantagens desta técnica:

• A menor incisão propicia um trauma menor ao olho e menos, ou nenhum, astigmatismo

• O MicroPhakonit utiliza menos ultrassom, o que reduz em muito as complicações e o tempo de recuperação no pós-operatório

• Necessita de lentes intraoculares especiais para passar pela incisão menor e reduzir o astigmatismo, que podem ser monofocais ou multifocais(visão para perto e longe)

• Não pode ser feita em cataratas muito duras

• Estabilização da visão geralmente ocorre em no máximo duas semanas, metade do tempo em relação a facoemulsificação tradicional

Vale ressaltar que apesar dos avanços, a cirurgia de catarata continua a ser um procedimento com os seus riscos, que embora calculados nos traz desafios ímpares a cada novo paciente. Uma nova técnica, apesar das vantagens, não elimina as técnicas já consagradas e necessitam ser bem indicadas para que se obtenha o resultado desejado.

 

 

 

Dr. Marco Antonio Olyntho

CREMESP 92737

Médico Oftalmologista pela Associação Médica Brasileira e Conselho Brasileiro de Oftalmologia

Especialista em Glaucoma pelo Hospital das Clínicas - Universidade de São Paulo

Membro da American Academy of Ophthalmology

marco@olyntho.med.br

www.olyntho.med.br

São José do Rio Preto - SP

Catarata – Reabilitando a Visão

O olho humano se assemelha a uma câmera fotográfica. A lente que faz o zoom e serve para focalizar os objetos tanto longe como perto recebe o nome de cristalino e está localizado atrás da íris, que confere a cor aos olhos e serve para regular a quantidade de luz. O cristalino sofre alterações durante toda a vida, e em geral após os 40 anos há perda da capacidade de focalizar os objetos para perto, sendo necessário compensar esta dificuldade com óculos. Outra alteração que esta lente pode apresentar é a perda da transparência, o que é chamado de catarata. Estima-se que 50% das pessoas acima de 60 anos possuam este transtorno, mas pessoas mais jovens também podem ser acometidas em decorrência de doenças como a rubéola.

A catarata leva a uma perda gradativa da visão, e muitas vezes só é percebida quando limita a realização de tarefas habituais, como dirigir ou assistir televisão. É comum a queixa de halos ao olhar para a luz ou dificuldade para perceber cores no estágio inicial, até a completa incapacidade de enxergar, levando a uma cegueira que pode ser tratada com a remoção do cristalino defeituoso, substituindo-o por uma lente. Com uma lente adequada é possível corrigir a visão para longe, e com a utilização de lentes especiais, até mesmo a visão para perto.

A cirurgia de catarata pode ser feita de diversas maneiras. A cirurgia tradicional é conhecida como extracapsular, ou seja, é feito uma abertura no olho que permite a remoção do cristalino inteiro. Após a remoção é inserida uma lente e dado pontos para o fechamento da incisão. Esta cirurgia é feita mundialmente e de custo baixo, não necessitando de equipamentos muito sofisticados, mas unicamente da habilidade do cirurgião.

Outra forma de se remover a catarata é através da facoemulsificação. Nesta técnica o cirurgião utiliza um aparelho de ultrassom para fragmentar o cristalino em pequenos pedaços que são aspirados por uma cânula através de uma incisão de 3,2 mm ou menor. Geralmente não é necessário dar pontos e a lente é introduzida no olho dobrada através da mesma incisão. No Brasil esta técnica ganhou força a partir da década de 90, sendo que um dos precursores desta técnica, o Dr. Benicio Dini de Mendonça, foi um dos primeiros a trazer esta tecnologia para a região e a utilizá-la para operar pacientes nas campanhas de catarata na cidade de Ibirá, que dispõem dos equipamentos e materiais especiais necessários para a sua realização.

Apenas por curiosidade, hoje esta técnica está tão avançada que é possível, utilizando equipamentos adequados, remover o cristalino através de uma abertura de 0,7 mm, ou seja, da espessura de uma lapiseira. Esta técnica foi desenvolvida no DR.AGARWAL’S EYE HOSPITAL na Índia, onde outras técnicas revolucionárias estão sendo desenvolvidas para o tratamento de doenças oculares.

Muitos pacientes possuem a noção que a cirurgia de catarata é “simples” pois em poucos minutos de cirurgia e em alguns dias estão enxergando bem. Na verdade, conforme a tecnologia avança, mais complicada ela fica, em virtude das diferentes técnicas que podem ser utilizadas para o tratamento. Desta forma, a capacitação do profissional e o equipamento é muito importante para oferecer o tratamento mais adequado e com risco menor para a reabilitação da visão.


Dr. Marco Antonio Olyntho

CREMESP 92737

Médico Oftalmologista pela Associação Médica Brasileira e Conselho Brasileiro de Oftalmologia

Especialista em Glaucoma pelo Hospital das Clínicas - Universidade de São Paulo

Membro da American Academy of Ophthalmology

marco@olyntho.med.br

www.olyntho.med.br

São José do Rio Preto - SP